sábado, 14 de Novembro de 2009

Fare il Portoghese


É incrível descobrir expressões idiomáticas italianas que fazem referência a Portugal. Verdade que Aqui a primeira coisa que respondem quando digo que sou portuguesa não é ah, Portugal? Espanha?? Mais ou menos toda a gente teve geografia na escola. E uma grande parte conhece mesmo Portugal. Os pastéis de nata, Fernando Pessoa (que, incrivelmente é uma enorme referência portuguesa por aqui), bom tempo, os eléctricos de Lisboa que são os únicos irmãos europeus dos eléctricos milaneses, o facto de os portugueses nunca andarem a horas, Siza (isto já é mais inerência profissional), e por aí fora.

Mas ia eu a explicar que a expressão do título existe mesmo em italiano. Para as profissões usa-se a mesma expressão: fare il medico, fare lo psicologo, fare il professor, só para fazer aqui uma pequena demonstração dos meus conhecimentos linguísticos.
E fare il portoghese não quer dizer nada mais nada menos que sair sem pagar. Ou aldrabar alguém nas contas e assim. Fare il portoghese, dizem-me, vem do tempo das peregrinações a Roma, onde os devotíssimos peregrinos portugueses facevano il portoghese o mais possível, e saíam sem pagar.

Agora numa lojinha de crepes experimentem comentar essa expressão com outro português (ainda antes de pagarem e com os crepes já na mão) e é terem a completa atenção dos senhores da loja por toda a vossa estadia. Não ajudado pelo facto de suspirarmos e fazermos barulhos estranhos cada vez que comíamos um bocadinho de crepe.

sábado, 7 de Novembro de 2009

Estou a falar muito a sério quando digo


que fui a uma loja outlet aqui em Milão, com Louboutins a 50 euros. Não eram as loucuras de sapatos da imagem, mas era uma sola vermelha verdadeira. Um par preto e outro em castanho, com salto não muito alto, mais ou menos clássico, os dois o meu número. E não trouxe nenhum.
Mas parece-me que hoje vou sonhar com eles.

Ou não vou dormir por causa deles.

Inverno às prestações


Este ano ando com alguma dificuldade em "assumir" o Inverno. No que ao respectivo guarda roupa diz respeito. Começou com um casaco de inverno, não o mais quente que tenho aqui mas já é de inverno. Vesti-o a primeira vez praticamente com roupa de verão por baixo.
No outro dia foi a conquista das galochas, que só usei nesse dia porque parecia que podia ver uma arca cheia de animais a passar por Milão a qualquer momento.
Há poucos dias foi a gola alta, de algodão, mas já gola alta.
Confesso que é um fenómeno que nunca tinha experimentado. Normalmente sou das pessoas mais entusiásticas que há com o guarda roupa de inverno. Deve ser medo do ponto a que chega o frio de Milão. Ando a vestir a roupa quente a medo.
Hoje vai a boina francesa.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Quando saí de casa


(isto há dois dias)
nunca imaginei que quando voltasse teria visto um (senão O) melhor espectáculo que alguma vez tive a sorte de ver.
Manhã inteira em aulas. Tarde a mesma coisa. Saio das aulas às seis e dirijo-me à última aula já a arrastar os pés e com a capacidade mental reduzida ao mínimo de saber o caminho para casa assim que surgisse a oportunidade. Acontece que um amigo meu tinha passado pelo La Scala antes de ir para casa só porque na aula anterior tínhamos falado que estava o Ballet Giselle e para aquele dia sobravam alguns bilhetes na net. E como quem joga no euromilhões, foi lá ver se havia os celebérrimos bilhetes que sobram. E havia. Escusado dizer que quando a informação me chegou ao telemóvel até um discurso coerente em italiano consegui ter para explicar a professora que já estava atrasada para o La Scala.
E foi lindo. E já risquei uma linha da lista:
Ir ao La Scala ver um ballet.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Era muito mau se eu fosse àTiffany's


aqui de Milão para experimentar assim só umas coisinhas como os colares da imagem?
Nem é preciso ser nada de ouros (brancos) nem diamantes nem brilhantes nem nada de pedras preciosas. Também quão cara pode ser a prata?
Se calhar não quero saber.

domingo, 1 de Novembro de 2009

Comemorar o Halloween


Foi uma coisinha simples mas que me soube pela vida. Além disso já andava a namorar aquela pastelaria há muito tempo. Só pelos embrulhos vale a pena. Já para não falar da maravilha que são estes biscotti, os bolos mais singelos que por lá se vendem.

September Issue


É daqueles filmes que me faz querer ser como elas. Trabalhar numa revista de moda, andar sempre no meio de sapatos, carteiras, vestidos, chapéus, luvas, lenços, botas, calças, tudo dos designers mais exclusivos. Mas vai na volta, ir às compras deixava de ser uma coisa divertida. Se bem que se me oferecessem tudo, também era coisa que não me ia ralar muito.

sábado, 31 de Outubro de 2009

Uma tarde em Veneza

Quem me quiser amolecer o coração pode bem esquecer Paris, que agora conheço Veneza. Levem-me a Veneza se me querem ver feliz. Nas gôndolas, ou passeando sem mapa (que também não é das coisas mais fiáveis) nas ruas com a largura de corredor doméstico pouco generoso. Foi só uma tarde, mas que me deixou a suspirar por uns valentes dias.
E não sei bem porquê, pareceu-me uma cidade muito romântica. Não sei mesmo porquê, e não sei como é que uma cidade pode ser romântica sem depender da companhia.
Umas fotos, que sei que não interessam especialmente mas nunca foi critério que me constringisse.

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Se eu lesse revistas


andava mais feliz. Digo eu.
Acontece que desde há duas noites, cada vez que saio à rua com a minha roommate, encontramos um famoso. Acontece que somos as duas portuguesas e as revistas italianas que lemos são de moda e não nos informam sobre estas coisas.
Há dois dias foi num quiosque/livraria/megastore para os lados do Duomo. Depois de rondar a secção de italiano per stranieri, estávamos as duas a ver calmamente as revistas quando uma italiana perto de nós solta um guincho. Saca da máquina fotográfica (se calhar também devia andar sempre com a minha), empurra a criancinha que acompanhava para ao pé do homem que ainda há segundos estava ao pé de nós a ler resvistas, pede para tirar uma foto, tira várias, agradece, o homem sorri. A senhora vai acelerada para outra secção e o HomemFamoso1 sai a toda a velocidade da loja.
Ontem foi numa pizzeria muito caseirinha para os lados da Porta Romana. Estávamos já a acabar as magníficas pizzas quando a empregada brasileira (que ficou uma amiga para a vida e ofereceu os cafés) saca do telemóvel e se põe a filmar. Isto durante uns bons 15 minutos e com maior atenção para a mesa à nossa frente. Quando estávamos já a fazer contas e acertar trocos, está o staff todo a começar a tirar fotos, um a um, com o HomemFamoso2.
Acontece que isto era tudo muito mais engraçado se fizéssemos uma pequena ideia dos famosos desta terra, mas como não é o caso, e pelo sim pelo não, vamos dar uma vista de olhos pelas revistas antes de sair de casa. Que mais não seja, pelo menos para da próxima vez não ser a história dos famosos italianos que me são totalmente desconhecidos, mas da estrela italiana com quem tirei uma foto.